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Artigos de Opinião

Estudo sobre estilos de vida dos adolescentes Portugueses

(Notícia de um importante estudo português que revela alguns dados interessantes sobre o comportamento dos adolescentes em Portugal. Texto retirado do Jornal Público de 14/12/2010.)

 

Não saem à noite, não fumam, não bebem e começam a vida sexual mais tarde. De manhã, tomam o pequeno-almoço. Na escola não se envolvem em lutas e gostam dos seus professores. Em casa, estão à frente da televisão ou do computador e, talvez por isso, praticam menos exercício físico. Há mais um senão: o consumo de drogas aumentou ligeiramente entre os adolescentes e jovens portugueses dos 6.º, 8.º e 10.º anos.

Estes são os resultados preliminares do estudo coordenado por Margarida Gaspar de Matos para o Health Behaviour in School-aged Children, que é apresentado hoje, em Lisboa. Os resultados finais serão conhecidos em Abril. Trata-se de um estudo colaborativo da Organização Mundial de Saúde (OMS), feito de quatro em quatro anos, com o objectivo de estudar os estilos de vida e os comportamentos adolescentes. Os dados portugueses foram recolhidos para o relatório de 2012, onde se reúne a informação de outros 43 países.

“Há questões que fazem muito barulho [como o bullying] mas que não são universais. Há realidades que são só da nossa rua”, justifica Margarida Gaspar de Matos. Por isso, apesar da crise económica, “cada vez há menos miséria cultural e económica em Portugal”. “Há nichos preocupantes mas residuais, pelo menos no modo como os alunos percebem e nos relatam os factos”, aponta a professora da Faculdade de Motricidade Humana, da Universidade Técnica de Lisboa.

Segundo o inquérito feito a cinco mil jovens de 136 escolas públicas (as mesmas desde 1998), os pais também melhoraram a sua escolaridade. Aí pode estar um factor para a melhoria da situação, continua. Mais: a maioria dos adolescentes que constituem a amostra é de nacionalidade portuguesa. Há quatro anos, a maioria dos pais tinha o 1.º ciclo; actualmente, têm o 2.º ou o 3.º e têm também profissões mais qualificadas. Esta alteração pode dever-se à iniciativa Novas Oportunidades. “É uma mudança fantástica porque a escolaridade da mãe é o melhor preditor de saúde pública. Uma mãe escolarizada mexe-se melhor no sistema de saúde e no da educação”, revela. Um quinto dos rapazes afirma já ter tido relações sexuais. No conjunto das raparigas e dos rapazes, a maioria (83,1 por cento) diz nunca ter tido relações sexuais. Em inquérito feito apenas aos alunos do 10.º ano que referiram já ter iniciado a sua vida sexual, oito em cada dez respondem que iniciaram aos 14 anos ou mais. Nove por cento dos rapazes respondem que iniciaram aos 11 anos ou menos, contra dois por cento das raparigas.

Porque é que iniciaram a sua vida sexual? Metade responde que queria experimentar, 47 por cento estava “muito apaixonado/a”, 28 “já namoram há muito tempo”, 18 por cento confessam que “aconteceu por acaso” e 13 por cento respondem que não queriam que o “parceiro ficasse zangado”. Seis em cada dez não saem à noite com os amigos. O consumo de tabaco e de álcool diminuiu em quatro anos – um quinto dos jovens responde que já se embriagou uma ou três vezes -, mas a experimentação de drogas aumentou umas décimas. Gaspar de Matos não sabe o que é que estes dados significam.


Em casa, os adolescentes vêem muita televisão, embora menos do que em 2006 – na altura, 35,8 por cento viam mais de quatro horas diárias, durante a semana, contra 25,2 este ano. Mas passam mais horas ao computador – há quatro anos, 29,5 respondiam que nunca o usavam durante a semana; agora são apenas 12 por cento. Sete em cada dez não se envolveram em lutas no último ano e gostam da escola, 80 por cento gostam de estar com os colegas e 85 por cento consideram que os professores têm uma boa percepção das suas capacidades académicas. Em média, os inquiridos que participaram no estudo têm 14 anos, pesam 53,4 quilos e medem 1,61 metros. A maioria – sobretudo os rapazes – está satisfeita com o seu corpo.

 

 

A infância e a adolescência na internet:

quais serão as novas formas de adoecer?

(artigo de opinião)

 

Rui Tinoco
Psicólogo clínico


Estamos perante as primeiras gerações de crianças e jovens que crescem, utilizando quotidianamente a internet. A rede é cada vez mais utilizada para satisfazer um maior número de necessidades. À vertente de investigação e de conhecimento, soma-se ainda a vertente de consumo, publicidade, lazer e ainda de convivialidade. Esta disseminação é fomentada por ministérios da educação de diversos países, não sendo acompanhada pela correspondente necessidade de formação.mente ao SPO alunos, pais e encarregados de educação, directores de turma, professores e pessoal não docente.

Muitas ideias que nos parecem sólidas e evidentes, estão em profunda mutação. Citamos um pouco ao acaso: a ideia de autoria, uma vez que o texto está on-line a sua propriedade não é imediatamente evidente; a ideia de privacidade, pois colocar imagens ou pequenos filmes na net é quase um gesto maquinal; a ideia de amizade e de relacionamento afectivo que pode, do nada, transformar-se em algo muito intenso sem que as pessoas se conheçam a nível físico.

Os desenhos animados dos mais novos existem on-line e disponibilizam pequenas actividades. As redes sociais disputam também este público mais jovem com jogos dirigidos às suas idades. Para os adolescentes, a tudo isso somam-se as já tradicionais salas de chat ou programas de troca de mensagem instantânea como os vários messenger existentes no mercado.

Temos, pois, amplas franjas da população para as quais a internet é algo de evidente. A rede transformou-se num espaço de estar e de viver que, forçosamente, replicará formas de mal-estar social e psicológico. Mas que formas de mal-estar e de disfuncionalidade serão essas? A interrogação tem ainda poucos dados que possibilitem respostas. No imediato, podemo-nos socorrer de figuras que já fizeram algum furor mediático: a do viciado que privilegia a net sobre todas as outras áreas da sua vida pessoal; a do marido ou esposa mal casado que encontra uma aventura no mundo virtual; ou ainda a do jovem que é alvo de um predador que o ludibria na rede ou atrai-o ainda para alguma armadilha no mundo real. Está claro que existem ainda inúmeras nuances entre estes grandes esboços…

Interessa-nos ainda o modo como certas pessoas com dificuldades de relacionamento interpessoal se reinventam na rede como outro eu; ou ainda como outros dão azo a esferas dos seus eus, a desejos ocultos e as afirmam de uma forma, desbragada até, no contexto de certas plataformas virtuais…


Quais serão as consequências destes movimentos de centrifugação do eu no desenvolvimento psicológico? De que forma a perda da necessidade de coerência em plataformas internáuticas ou da ausência de consequências para determinados comportamentos virtuais (passe-se a contradição dos termos) serão reflectidas no sujeito psicológico?

O uso intensivo de computador pode até, fazer esquecer ou adiar certas necessidades corporais e fisiológicas… A multiplicação de identidades virtuais poderá ainda reforçar essa tendência de dissipação.

O que será, para os vindouros, existir?

 

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