História

 

No 25º Aniversário do Colégio de São Miguel

 

O Bispo aos Diocesanos

1. Gosto de recordar! A palavra recordar tem no centro o coração. Recordar não é só exercício de memória. É também exercício de coração. Recordar é peregrinar no passado, para alicerçar o presente e construir o futuro. As coisas não nascem grandes! Seriam monstruosas. Coisas, pessoas e instituições.

O Colégio de São Miguel nasceu pequeno como as plantas e os homens. Foi aí por 1960 que a Paróquia de Fátima com a ajuda das Escravas do Divino Coração de Jesus, oriundas da ilha de São Miguel, Açores, e residentes em Aljustrel se lançou numa experiência de ensino, para lá da escola primária. Meninos intelectualmente capazes, não tinham acesso a outro nível de ensino, porque eram pobres e as escolas eram longe. Na Cova da Iria existia apenas o Colégio do Sagrado Coração de Maria, só para meninas.

Naquele mini-colégio de São Miguel, ali junto da Igreja Paroquial, as crianças preparavam-se para fazer o exame de admissão ao liceu e, mais tarde, para fazer os exames do primeiro e segundo anos liceais. A situação legal, porém, era um pouco ambígua. Esta, a pequena pré-história do que é hoje o Colégio Diocesano de São Miguel em Fátima.

2. Em 1962, o meu querido e sempre venerado predecessor, D. João Pereira Venâncio, cujo vulto mais se engrandece no decurso do tempo, decidiu a fundação do Colégio Diocesano de São Miguel em Fátima, encarregando o Pároco, Pe. Manuel António Henriques, de desencadear as acções adequadas e necessárias para a sua concretização.

Pediu-se ao Ministério da Educação Nacional que autorizasse um Colégio em Fátima e que este funcionasse com internato e externato. Em virtude duma licença provisória emanada do Ministério, iniciaram-se as aulas em Outubro de 1962 no chamado “Prédio de Santarém”, propriedade da Fábrica da Igreja Paroquial, e ali funcionou o Colégio até ao fim do ano escolar de 1964-1965. No ano seguinte, passou para um edifício do Santuário de Fátima, na Cova da Iria, que anteriormente acolhera o Seminário Menor da Diocese. Desde a oficialização até ao fim do ano letivo 1965-1966, foi Director do Colégio o Pe. Manuel António Henriques.

3. Entretanto realizara-se o Concílio Ecuménico Vaticano II que em 28 de Outubro de 1965 aprovou, quase unanimemente, a Declaração Conciliar sobre a Educação Cristã, promulgada solenemente por Paulo VI.

O Sr. D. João Pereira Venâncio, Padre Conciliar, tornou-se fiel discípulo do Concílio, também neste domínio da Educação. Dotado de grande espírito de iniciativa, e movido pelo seu amor à juventude, projectou e levou a efeito a construção de um novo edifício para o Colégio de São Miguel.

Mas o Colégio não é apenas um edifício. O Colégio, são sobretudo as pessoas. E o Sr. D. João não se esqueceu de preparar o novo Director do Colégio, o Sr. Pe. Joaquim Rodrigues Ventura, que assumiu a Direcção após estudos específicos feitos em Paris, encontrando sempre desde a primeira hora uma preciosa colaboração na pessoa do primeiro Director, o Pe. Manuel António Henriques.

4. No ano lectivo de 1972-1973, o Colégio de São Miguel passou a funcionar no novo e actual edifício, cujas estruturas têm vindo a ser melhoradas. Mas não só as estruturas que pouco ou nada valem sem as pessoas. Nós temos que afirmar sempre o primado da pessoa.

Fiel às origens, - “Quem como Deus” – o Colégio de São Miguel em Fátima, sob a orientação lúcida e dinâmica e dedicada do seu Director, tem realizado um trabalho notável em ordem a reabilitar e dignificar a Escola Católica. Destinada a dar uma formação integral, esta Escola propõe um projecto educativo que abrange a pessoa humana em todas as suas dimensões, pugnando prioritariamente pelos valores da fé, sem nada desprezar do que é autenticamente humano, quer no conteúdo quer na metodologia.

Tem demonstrado ao longo dos anos que ciência e fé, longe de se oporem se harmonizam e se integram mutuamente, porque têm o mesmo autor: Deus. As suas iniciativas têm encontrado eco para além das fronteiras da Diocese. Digo isto, não por vaidade, porque entendo que pessoas e instituições devem cultivar a humildade individual e colectiva, mas como estímulo para mais e melhor.

Aliás, seria inadmissível viver de provisões arrecadadas. Compete-nos forjar o futuro. Queremos caminhar. Mas então, se queremos mesmo caminhar há que magoar os pés nas pedras, fazer calos nas mãos, deixar ensanguentadas as veredas por onde se passa.

Celebremos as Bodas de Prata do Colégio de São Miguel! Olhar simplesmente para o passado não interessa. O que importa não é ter chegado aqui; o que importa é projectar-se para: de cume em cume, de ascensão em ascensão, de amor em amor.

Gosto de recordar, mas também gosto de sonhar, não os meus sonhos, mas os sonhos de Deus. A Diocese deve tomar consciência de que existe um Colégio Diocesano de São Miguel e outros Colégios Diocesanos para os acarinhar e amar.

 

Leiria, 18 de Junho de 1987

+Alberto Cosme do Amaral

Bispo de Leiria-Fátima

 

Nota: transcrito da carta original que surge em anexo.

 

 

 

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